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JOÃO E MARIA


Havia dias que eu não tinha motivos para sorrir, minha vida se transformou em algo que beirava a morte. Era uma dor de chamuscar a pele,  de doer os ossos. Eu já não andava mais era prisioneiro de minha própria cama. Enquanto remoía meus amargores, uma menina muito de mim conhecida de face rosada entrou pela porta, minha vizinha, Maria. 
Vestido de chita, cabelo em trancas, boca vermelha sem precisar sequer de baton, assim era Maria.
Logo minha inveterável amiga de roubos de mangas do quintal de seu Elias, deitou-se do meu lado na cama. Ela assoviava, baixinho.
Então de súbito me disse: -Vamos brincar! disse ela virando o rosto e olhando em meus olhos.
Eu perguntei: - De que Maria, não posso me levantar, não posso sair da cama ?
Ela respondeu: -De sorrir João! disse ela cinicamente para mim, com olhos meio abobalhados.
Eu lhe questionei grosseiramente: - Que brincadeira é essa de sorrir Maria?
Ela respondeu -Você sorrir, e digo Iiiiiiiii. Disse-me rindo com a rima boba que havia feito.
Eu lhe disse que aquela brincadeira não tinha graça e Maria me encarou de maneira pensativa, com aqueles olhos verdes folha, que me provoca sorrisos tolos e borboletas no estômago.
Ela então pegou minha mão.
- João então vamos brincar de chorar!
- Não Maria, já chorei tanto que não tenho lágrimas para te dar.
Ela largou minha mão e ficou calada. Eu não sabendo lidar com o silêncio de Maria resolvi fazer-lhe a vontade.
- Está bem Maria vamos brincar de chorar, como que é esta brincadeira?
Ela com um sorriso travesso no rosto me respondeu: - Você vai chorar e eu vou dizer Aaaaaaaa! Ela ria abafado, o que me provocou ira.
Lhe gritei em desespero: - Pare de rimar com minha desgraça, nem boa nisso você é! 
Ela baixou a cabeça pude ver o lençol ficar úmido  com suas lágrimas, eu a fizera chorar, fiz a menina mais linda com vestido de chita e tranças no cabelo chorar, a doença devia está me transformando em monstro, quem faz meninas de olhos verdes e bochechas rosadas  chorar, só poderia ser eu o monstro João!
- Maria. chamei baixinho. - Se ainda quizer podemos brincar, escolha uma brincadeira qualquer e eu não reclamarei, se quizer  pode continuar a rimar, doque quer brincar?
Maria levantou o rosto, ainda lavado pelas lágrimas, assoviou outra vez baixinho e me respondeu: - Vamos brincar de inclinar!
- Não Maria, isso não dá, esqueceu não posso me levantar da cama, disso não dá para brincar!
- Você disse de qualquer coisa. Disse ela com a voz embargada.
Eu não poderia vê-la chorar novamente.
- Tudo bem Maria vou tentar, como você quer brincar?
Ela se aproximou de mim na cama bem devagar, limpou as lágrimas, assobio baixinho novamente, então ela sussurrou  
-A brincadeira é assim João , eu vou me inclinar, disse ela aproximando o  seu rosto do meu  - E você vai me beijar.
E eu lhe respondi...
- É pra já.
INGRID CARVALHO
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4 comentários:

Patricia Ferreira disse...

Olá, tudo bem ?
Nossa Ingrid que legal os contos que você faz ! Amei esse !
Vou acompanhar para ver o próximo conto ! uashauhasuh'

Beijoos, Patty
Cartas para Ficção

Vanessa disse...

Nossa, amei! Muito fofo, quase chorei junto HAUSHAUSHSUAHASU

Beijos, sucesso com o blog!
Vanessa
http://basicamentenecessario.blogspot.com/

The attitude Included disse...

amei, fofofofo *-*
Beijos,
www.theattitudeincluded.blogspot.com

Augusto Abreu disse...

Oi Ingrid, muito bom o seu conto. Também escrevo e posto todo dia um em http://contospromissores.blogspot.com, passa lá e dá uma lida. Um abraço.

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