JOÃO E MARIA
Havia dias que eu não tinha motivos para sorrir, minha vida se transformou em algo que beirava a morte. Era uma dor de chamuscar a pele, de doer os ossos. Eu já não andava mais era prisioneiro de minha própria cama. Enquanto remoía meus amargores, uma menina muito de mim conhecida de face rosada entrou pela porta, minha vizinha, Maria. Vestido de chita, cabelo em trancas, boca vermelha sem precisar sequer de baton, assim era Maria. Logo minha inveterável amiga de roubos de mangas do quintal de seu Elias, deitou-se do meu lado na cama. Ela assoviava, baixinho. Então de súbito me disse: -Vamos brincar! disse ela virando o rosto e olhando em meus olhos. Eu perguntei: - De que Maria, não posso me levantar, não posso sair da cama ? Ela respondeu: -De sorrir João! disse ela cinicamente para mim, com olhos meio abobalhados. Eu lhe questionei grosseiramente: - Que brincadeira é essa de sorrir Maria? Ela respondeu -Você sorrir, e digo Iiiiiiiii. Disse-me rindo com a rima boba que ha...