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Colorindo

Tudo que sinto não me diz respeito, tudo que vejo são imagens no espelho.
A minha volta não há mal que eu sinta, não há chuva que me molhe, não há arrepio.... só há morte.
A morte é impetuosa, infame e mórbida, nos tira e apenas tira e não devolve.
A sensação, o sopro, o vento,chama, a cama, a vida... a morte come e não deglute apenas empurra e engole.
A fome é tanta que mata até a própria fome, e ainda insatisfeita come todos os meus desejos e pensamentos.... fico a contar o tempo.
A morte come tudo, até mesmo o que não é comestível, afoga e queima, mata e envenena.
A morte é escura, sombria e nodosa. É impetuosa...
Porém algo mudou...resolvi colorir tudo..... para dissolver este sopro de morte.
Vou pintar com aquarela doce e bela e embelezar até a morte, que de tão ofendida se retirou e me atirou a própria sorte.
Colori com tinta guache toda a dor, mas uma chuva caiu e levou toda cor, e transformou meu dia em  cinza, e deixou tudo sem calor.
E entre as batidas rápidas do meu coração, encontrei lápis de cor, e com o que restou  pintei a vida com ardor
E entre idas e vindas , a vida voltou a ser cor-de rosa, me deixando verso, poesia e prosa.
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2 comentários:

Anônimo disse...

Corir a morte, nunca pesei num texto nesse sentido.... muito bom

ingrid Carvalho disse...

obrigada.

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